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Os Estados Unidos de Tara

17 Jun

Como lidar com uma pessoa com múltiplas personalidades? Ainda mais se essa pessoa apresenta personalidades tão diferentes como uma adolescente e um veterano de guerra?

Para a família Gregson, da série United State of Tara, mesmo com experiência, a rotina não é fácil. Tara Gregson possui transtorno dissociativo de identidade (TDI). Uma de suas personalidades, ou alters, surge quando está em momentos de estresse ou através de coisas aleatórias (como um cheiro, uma imagem, uma história…), ficando por tempo indeterminado. Tara perde total controle de si e não sabe o que se passa enquanto “está fora”. Resta a seu marido, Max, e seus filhos adolescentes, Kate e Marshall, controlar os ‘visitantes’ e lidar com os outros e consigo mesmos as consequências das “visitas”.

A série começou a ser exibida em 2009 nos EUA e, em 2010, no Brasil, pelo canal FOX. Possui no total 3 temporadas, cada uma com 12 episódios. O último vai ao ar no dia 20 de junho de 2011.

Mas não se engane: apesar do drama, a série proporciona muita comédia devido às personalidades tão diferentes de Tara. A primeira temporada de United State of Tara começa com a protagonista tentando lidar com a sexualidade de sua filha de 15 anos, Kate, e mais tarde, com a tentativa de descobrir o trauma que teria desencadeado o seu TDI. Em segundo plano, acompanhamos seu filho, Marshall, dar seus primeiros passos em sua vida amorosa e sexual gay, além dos traumas da irmã de Tara, Charmaine. No meio de todos os conflitos, conhecemos os alters: T, Alice e Buck. Os três são os principais da trama e são apresentados já na vinheta de abertura do programa. Mas esses não são os únicos (e falar mais é soltar spoiler…).

 

Pontos altos da série (ou porque vale a pena assisti-la)

Obviamente, as personalidades tão distintas são o principal da série. Ao mesmo tempo em que são hilárias, proporcionam momentos como o de indignação pela forma como se relacionam com os filhos e demais. Buck, por exemplo, metido a machão, fica ofendendo constantemente Marshall devido sua orientação sexual. T é uma adolescente “piriguete” que dá em cima de todos, mesmo na frente de Max. Além de rendem outras cenas muito boas como quando Alice vai conversar com um professor de Marshall mantendo um sorriso no rosto e um tom de “queridinha” na voz enquanto revela seu lado persuasivo e manipulador de forma brilhante. Vale ressaltar o show de atuação de Toni Collette, pois cada um dos alters é muito bem construído. Não são apenas as roupas que os diferenciam. O gestual e a voz própria de cada um os distinguem claramente, tornando bastante crível suas respectivas aparições e mostrando o talento da atriz.

T é uma adolescente bastante extrovertida que gosta de usar roupas provocantes e falar obscenidades. Ela e Kate se dão muito bem, como se fossem amigas. Entre muitas de suas peculiaridades é manter um blog e ser vegetariana.

Alice parece ter saído de um seriado dos anos 50, tanto pelas suas roupas quanto por seu modo de ser, isto é, esposa e mãe dedicada. Ressaltam-se sua habilidade na cozinha, seu tom aparentemente submisso (apesar de ser altamente manipuladora), além de saber tocar piano e falar francês.

Buck é um veterano da guerra do Vietnã mulherengo e metido a machão. Está quase sempre bebendo, fumando, tentando apalpar alguma mulher ou entrando em brigas. Conforme o próprio, a guerra teria causado a perda de sua genitália, o que não o impede de “brincar” com mulheres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os filhos de Tara são personagens com desenvolvimentos muito interessantes. Kate é bastante desinibida em relação ao sexo e seus relacionamentos contribuem muito para a trama. Não quero revelar muito para não estragar as surpresas, mas em um dado momento ela se envolve com alguém que acaba virando um stalker e a sua lucidez e frieza para lidar com isso é incrível, tanto num sentido positivo como negativo, ainda mais tendo em mente de que se trata de uma adolescente de 15 anos. Já seu irmão menor, Marshall, se apaixona por um garoto que o convida para participar da “Casa do Inferno”, uma espécie de teatro organizado pela igreja do seu pai, um pastor, para “conscientizar” sobre males da sociedade como o homossexualismo!

Kate e Marshall, filhos de Tara.

Charmaine, irmã de Tara.

A irmã de Tara, Charmaine é um tanto irritante e desde o início não nos dá uma boa impressão, algo que melhora (um pouco) com o desenvolvimento da trama. Sua inveja e traumas por causa da irmã, por exemplo, fazem-na dizer que o transtorno dissociativo de identidade de Tara é pura encenação para se livrar de responsabilidades e chamar a atenção. A revelação em família de um de seus traumas, no sexto episódio, é um dos momentos mais hilários devido ao seu inesperado problema. Pode ter certeza que você ficará rindo muito.

Max, marido de Tara.

 A série é muito boa, e muito do que é bom não posso falar, pois estragaria completamente a graça de assisti-la. Mas se você quiser uma série com bom roteiro e atuação combinados com uma trama instigante, United State of Tara deve entrar na sua lista de séries para assistir. Os momentos de comédia são bem equilibrados com as doses de drama e mesmo de mistério em relação à origem das múltiplas personalidades de Tara. Você assiste aos quase 30 minutos dos episódios quase sem perceber o tempo passar num misto de “já acabou?!” com um “quero ver o próximo agora!”. E fique atento, pois pode não parecer, mas muitos detalhes que parecem ser insignificantes de cara mais tarde ganham importantes significados.

O maior otaku da América

1 Mar

O que esperar de um programa cujo objetivo é encontrar o maior otaku dos Estados Unidos? Bem, a minha impressão inicial pode ser definida por duas expressões: “lá vem m$#&*” e “vergonha alheia”.

Entretanto, após assistir o primeiro episódio de America’s Greatest Otaku minha impressão inicial foi pro lixo! E estou na expectativa de assistir o próximo!

O programa iniciou na última quinta, 24/02, e contará com 8 episódios ao todo. A cada semana o fundador e CEO da editora norteamericana de mangás TOKYOPOP, Stu Levy, junto com seis acadêmicos, que se autoproclamam otakus, viajam pelos EUA em busca do fã supremo de cultura pop japonesa. No caminho, vão passando por lugares e eventos relacionados ao universo pop, os chamados otaku spot. Ao final, o vencedor irá ganhar uma viagem ao Japão.

Stu Levy e sua equipe "otaku six".

No primeiro episódio conhecemos a equipe de Levy, intitulada de otaku six, além de quatro concorrentes ao posto de maior otaku da América. Através do otaku factor conhecemos os pontos fortes de cada participante. Inicialmente, pensei que iria aparecer aqueles otakus mais estereotipados possíveis, como adolescentes reclusos, que mal sabem falar diante da câmera. Mas a maioria é adulta, trabalha na área ou próxima do universo pop e, apesar de algumas coleções e hobbies assustarem um pouquinho, os concorrentes não contribuem para uma má imagem do otaku. Pelo menos foi o que achei nesse primeiro.

Os quatro selecionados no primeiro episódio para concorrerem ao título de maior otaku.

Neste ônibus Levy e sua equipe percorrem os EUA atrás do otaku-mor americano.

Os locais visitados em seis dias são o Anime Expo, o maid café Royal T , o show da Erina Mano, o Yoshiki Foundation Event (com show do X Japan) em Los Angeles; o hotel Tomo!, o Cartoon Art Museum e o Three Rings, em São Francisco. Esses lugares são lindos e dá muita vontade de conhecê-los. E uma das primeiras coisas que percebemos é de como há eventos e lugares para ir relacionados ao pop japonês. Se for comparar com o Brasil… No site é possível ver onde ficam esses lugares através de mapa e assistir um pequeno trecho da parte em que foram apresentados no vídeo.

Uma das suítes do Tomo! Hotel.

Gostei também da edição e da identidade visual do programa, ambas bem trabalhadas, fugindo um pouco do convencional (mas nem tanto) e com um ritmo bom. No final, por exemplo, os otaku six e Levy fazem comentários do que rolou no programa, como as impressões que tiveram dos entrevistados e locais visitados. É algo rápido e ficou muito bacana.

Aparição da banda X Japan no programa.

Definitivamente é um programa que recomendo não só para quem faz parte desse universo, mas para quem quer saber mais, conhecê-lo. Apesar de ter algumas coisas que não me agradaram, como a rápida e superficial explicação do que é ser otaku, o programa tem tudo pra ser uma boa referência para a cultura pop, principalmente nos Estados Unidos.

 

II Encontro entre Jornalismo e Literatura

17 Out

Inicia nesta quarta-feira (22/10) o II Encontro entre Jornalismo e Literatura realizado pelo curso de Jornalismo das Faculdades Integradas do Brasil, em Curitiba/PR.

Com o tema “A narrativa literária no texto televisivo“, conforme o release, “a segunda edição segue a reflexão sobre as permeabilidades entre o jornalismo e a literatura, dessa vez enfatizando os recursos literários dentro do texto televisivo, típico da oralidade. […] Além das palestras, há a Feira do Livro Reportagem, em que são convidados estudantes, professores e profissionais que produziram uma obra neste gênero para discutir o seu trabalho”.

As inscrições custam 15 reais e podem ser feitas aqui.

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