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“Foi muito legal! Conseguimos!”

15 Ago

A frase a cima foi dita pelo organizador do HQCon, Diego Moreau, ao final do evento que aconteceu neste sábado, dia 14. A princípio, mais de 700 pessoas (a contagem oficial ainda está sendo feita, e provavelmente será bem maior esse número) estiveram em Florianópolis/SC para curtir um dia inteiro de palestras e demais atividades envolvendo quadrinhos.

Mais do que lazer, entretenimento e consumo, o HQCon trouxe o debate. Profissionais e pesquisadores de quadrinhos expuseram ao público suas ideias, experiências, expectativas para o futuro, deram dicas e muito mais. Eram roteiristas, desenhistas, tradutores, jornalistas, publicitários, animadores formando mesas temáticas que deram conta de mostrar um pouco de quem trabalha para o exterior e para o Brasil. Além disso, mostrando que os quadrinhos não vivem isolados, se alimentam e servem de inspiração para a música e para diversas mídias.


Panorama geral

Através das diversas mesas temáticas, essas foram as principais questões levantadas e recorrentes:

Primeira mesa temática: “O Brasil no caminho da animação”, com os estúdios AnimaKing e Cafundó.

Mesa “Quadrinhos autorais” com (da esq. a dir.) Pedro Franz, Daniel Esteves, Cadu Simões e Felipe Meyer.

Mesa composta por (da esq. a dir.) Eddy Barrows, Mário Luiz C. Barroso, Erico Assis, Gabriel Rocha e Ricardo Manhães.

A internet como divulgação de trabalho, contato ou networking, oportunidades, visibilidade e alcance maior de público comparando com o que um impresso poderia ter.

– Muitos ressaltaram a busca por editais e empresas para financiar as produções.

– As diferenças entre o mercado norteamericano e francês (estendo um pouco para o europeu).

– O futuro das HQs em relação ao digital, como por exemplo, através de leitores como o iPad.

– A evidência de jornalistas e críticos despreparados e muitas vezes falando bobagens sobre as obras.

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Frases, desabafos, momentos dos palestrantes:

Poli Graciano: sobre a animação no Brasil falou que é mais fácil começar em agências de publicidade, ressaltando que “é difícil, demorado, mas é preciso insistir!”.

Cadu Simões: “Quadrinho é quadrinho. Não importa a mídia”. Explicou que nunca conseguiu levar a sério os super-heróis, por usarem cueca em cima das calças e coisas do tipo. Salientou que muitos confundem quadrinhos autorais com alternativos, mas não tem nada a ver.

Mario Luiz C. Barroso: “No fundo todo leitor de HQ é um grande noveleiro”.

Contou que em conversa com o editor Fernando Lopes este teria dito que 15 anos atrás não faria traduções, pois não havia o google, que hoje ajuda para buscar referências nas obras em tradução.

Felipe Meyer: enfatizou que não basta ter HQs nas bibliotecas, é preciso investir em bibliotecários que possam sugerir as leituras.

Ricardo Manhães: comentou como na França todo e qualquer tipo de HQ vem em capa dura, algo que julga difícil de implementar no Brasil pois iria encarecer muito o material. Disse que os editores franceses não querem vender absurdamente e buscam fazer produto personalizado, além de ter prazos de até 6 meses para criar um álbum, que poderá ficar por 10 anos em venda.

Eddy Barrows: contou que no máximo tem 40 dias pra entregar uma HQ, e que em prazos mais puxados já chegou a fazer 4 páginas por dia. Também falou que nos anos 90 os brasileiros eram vistos com desconfiança pelos editores estrangeiros, principalmente pela falta de ambientação, conhecimento do local de origem do personagem. Contou que a primeira vez que mostrou seu trabalho, o editor perguntou a cidade que havia desenhado, Eddy respondeu Nova York e o editor lhe disse que não era. O motivo: os prédios não eram tão grandes como os arranha-céus de NY, ele havia desenhado com base nas construções da cidade que conhecia Belo Horizonte.

Exposição de escultura de Leandro Chaves.

Altos e baixos do HQCon:

O local: Floripa Music Hall foi um bom lugar, havia espaço para transitar, sem ficar esmagado. Foi a primeira vez que fui num evento e não enfrentei fila pro banheiro!

Comida: só tinha pizza pra comer! (Além de uma estande de guloseimas japonesas, o que acho complicado pra quem não curte muito como eu. Embora um pocky sempre é bem-vindo!). Pro próximo espero mais opções.

Cosplayers: como sou acostumada com eventos de cultura pop japonesa, esperava mais. Não estou reclamando dos que foram fantasiados, mas pensei que ia encontrar mais cosplay e, sobretudo, de histórias não japonesas. A maioria era de animê e games.

Palestrantes e discussões: a programação estava muito boa, e o que mais gostei foi de termos um panorama tanto internacional como regional, ouvindo profissionais de Floripa mesmo, até aqueles que trabalham pro exterior. E também trazendo às mesas jornalistas e pesquisadores acadêmicos de quadrinhos, os quais deram mais amplitude aos debates. Senti falta de alguém falando sobre mangá (em qualquer momento, não exatamente numa mesa sobre o assunto), mas como pesquiso isso, sou suspeita pra falar!

Intervalos e premiações: achei muito legal nos intervalos serem sorteados brindes para quem acertasse uma pergunta relacionada aos quadrinhos e afins. Assim como a premiação dos cosplayers envolverem bolsas de estudo para idiomas e graduação. A brincadeira acabou resultando num investimento cultural, talvez, mais importante do que se fosse em dinheiro. E também palmas para a dupla que tocou durante o desfile cosplay, ficou muito bom o som ao vivo! (Melhor ainda se num próximo tocassem só músicas envolvendo desenhos animados, filmes e relacionados ao evento…)

Horário: o grande ‘porém’ foi o atraso inicial de quase 2 horas que acabou fazendo com que a programação oficial fosse mudada, resultando em um menor tempo de fala para alguns dos palestrantes. Por isso, o evento terminou uma hora depois do previsto.

De forma geral, o HQCon estava muito bom! Quem passou por lá ou ficou durante todo o evento teve o que aproveitar!

Ano que vem tem mais!

Em breve conversa com o organizador, Diego Moreau, descobrimos que a ideia é continuar com o HQCon e mais do que isso expandi-lo para outros estados, especificamente em cidades onde há campus da Universidade Estácio de Sá, patrocinadora do evento, resultando em 2 ou 3 HQCons por ano no Brasil.

Nessa primeira edição, Moreau explicou que ficaram com medo de fazer mais de um dia de atividades, mas que provavelmente no próximo serão mais dias, pra não acontecer de montar uma programação corrida como dessa vez.

Mais do que um encontro, a proposta do HQCon é agregar pessoas, trazer pesquisadores para a discussão e no próprio site disponibilizar espaço para quadrinhistas iniciantes exporem seus trabalhos.

(Créditos das fotos: Giovana S. Carlos e Vivian Santana)

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Atualização (16/08/10)

Resolvi postar aqui alguns links do que está sendo dito em sites e blogs sobre o HQCon, pra quem quiser acompanhar mais:

“hq-con bombou!”, por Rogério Christofoletti (blog Monitorando).

Ajoelhem-se perante ele”, por Romeu Martins (blog Cidade Phantástica).

“Tempos de quadrinhos”, por Marcos Espíndola (blog Diário Catarinense).

“Viva o HQCon!”, por Universo Colecionáveis (blog Universo Colecionáveis).

“Desenhar não é (só) coisa de criança”, por Jacqueline Iensen (site Diário Catarinense).

“Veja as fotos da 1ª HQCon em Florianópolis”, por Stephan Martins (blog Jovem Nerd).

“Fãs de quadrinhos lotam HQCon em Florianópolis”, por Gabriel Rocha (blog Quadriteca)

Atualização (17/08/2010)

“HQCon”, por José – que ganhou brinde por falar o juramento do Lanterna Verde (Blog no Fim do Universo)

“E começou a saga”, por Diego Moreau (site do HQCon)



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