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O papel do cachê na valorização das bandas de j-music no Brasil

8 Nov

O “Mundo de Giovana” tem o prazer de trazer a primeira colaboração feita para o blog, num texto polêmico do músico Tiago Chevalier sobre a situação das bandas covers no cenário de j-music no país.  Esperamos que você aprecie e deixe seu comentário ao final! Boa leitura! ^^

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Olá pessoal. Aqui quem vos fala é Tiago Chevalier. Para quem não me conhece, sou vocalista da banda de j-music Ryokan. E é justamente sobre j-music que venho conversar com todos, graças ao intermédio desse blog.

Primeiramente, acredito que os eventos de cultura japonesa (favor não confundir com eventos de animê, pois se fossem, não teríamos nem 50% do que vemos nos eventos, mas isso é papo para outro post) estão cada vez mais se profissionalizando e buscando se tornar algo sério. Basta observar com atenção: não vemos mais eventos completamente amadores. Todos, em seu próprio ritmo, estão buscando melhorar para continuar existindo nesse “mercado”. O tempo passou e os freqüentadores dos eventos passam a exigir cada vez mais atrações de qualidade, muitas vezes não se importando em pagar um ingresso com preço um pouco mais “salgado”.

Mas, o que isso tem a ver com a situação da j-music? Como membro de banda desse meio, posso garantir que a direção das bandas de j-music é justamente a oposta do rumo que o cenário está tomando: ainda vejo inúmeras bandas que pagam para tocar nos eventos, ou simplesmente, vão ao evento fornecer seu suor e trabalho de graça. Acho uma piada de muito mal gosto as bandas que simplesmente se “prostituem” no cenário, sem objetivo algum. E prostituição é uma palavra totalmente adequada para ilustrar a situação.

Claro, existem exceções. Para uma banda iniciante é complicado pedir cachê (mesmo as que têm material, porque já dizia o sábio: quem sabe faz ao vivo). Mas, com exceção disso, as outras bandas DEVEM SIM pedir cachê para tocar nos eventos (tá certo que existem bandas tão ruins que realmente deveriam pagar para tocar, hehe).

Quando você abdica de cachê para tocar e se submete a tocar de graça, você não está simplesmente desvalorizando por completo o seu esforço e o da sua banda: você está desvalorizando todo um cenário que precisa e merece ser fortalecido. Porque, se você não se leva a serio o suficiente para pedir cachê, existem bandas que estão a fim de mostrar um trabalho de qualidade, e sua atitude apenas prejudica o processo.

Não quero entrar em detalhes, mas acredito piamente que apenas bandas fracas tecnicamente aceitam tocar nos eventos de graça. Quem é bom, treina e tem apreço pelo que faz, e não aceita fazerem pouco de seu trabalho, conquistado com muita luta.

Sejamos sinceros: bandas têm custos. Muitos. Não é fácil manter uma banda, isso levando em conta apenas os fatores econômicos, sem contar conciliar diversos membros para definição de repertório, ensaios e etc. Então, porque estaria errado uma banda cobrar para tocar? O público realmente acha que o “cachê” vai direto para o bolso do músico? Não vai. No final, na melhor das hipóteses fica tudo no chamado zero a zero.

Todas as outras atrações não vêm de graça, então por que uma banda seria diferente? Cada vez mais os organizadores lucram com os eventos, então por que não ceder uma parcela ínfima desse valor para quem ajudou a fazer o evento? Não é nenhuma blasfêmia, é uma questão de consciência. Bem ou mal, uma banda está lá prestando um serviço, como qualquer outra atração nos eventos e merece a mesma consideração.

Além dos eventos que as bandas pagam para tocar, existem os eventos onde é necessário montar uma caravana para ir. Parece até uma piada.  Acompanhem comigo os fatos: além da banda ter que pagar a própria viagem para o evento, onde a banda está prestando seu trabalho, ainda tem que encher o saco (essa é a palavra mesmo) dos amigos e conhecidos para irem juntos e tornar menos inviável a ida. É até difícil acreditar que exista nos dias de hoje tamanha exploração.

Podem até me dizer: Mas existem eventos de “fã para fã”. Desculpa, mas não acredito nisso. Duvido que mesmo nesses eventos lendários, o organizador não ganha NADA no final do dia.

Então na próxima vez que aparecer uma situação no qual a sua banda toque de graça, saiba dizer não. Não fomente ainda mais essa situação lamentável. São atitudes como essa que fazem o cenário ainda ser visto como amador e ridicularizado em frente a outros cenários: porque a própria banda não se valoriza. Se a própria banda não se valoriza, quem vai valorizar? Os organizadores precisam saber dar a atenção devida às bandas, e não é tocando de graça que isso vai acontecer.

Agora, se o diferencial da sua banda perante as outras é tocar de graça, então, minhas mais profundas lamentações, pois a sua banda é uma total perda de tempo. Faça um favor a todos e procure outra coisa para fazer.

 

A Ficção Científica na Literatura e nas Artes brasileiras

7 Ago

Nos dias 21 e 22 de agosto acontece em São Paulo o Invisibilidades III, evento promovido pelo Itaú Cultural voltado para a divulgação da Ficção Científica no país.

“Desta vez o tema é um saudável mix de literatura e artes visuais, com escritores, quadrinhistas, artistas plásticos e VJs dividindo o palco para falar de suas experiências, mostrar seus trabalhos e até mesmo apresentar performances”, escreveu em seu blog, Fábio Fernandes, curador e um dos mediadores das mesas temáticas.

Abaixo você confere a programação. Para mais informações acesse aqui.

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Programação

21 de agosto (sábado)

15h30 mesa 1 Fora do Eixo – a Produção de Ficção e Crítica Literária no Brasil que Você não Conhece
com Alice Feldens, Arnaldo Mont’Alvão Quelciane Marucci
mediação Edgar Nolasco
Os participantes irão discutir a produção de obras de ficção científica fora do eixo Rio-São Paulo, com ênfase para o projeto e-ficciones. Criado pelos professores Edgar Nolasco e Armando Mont’Alvão, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, o e-ficciones visa fomentar a produção literária e crítica de ficção científica.

17h30 mesa 2 Quadrinhos Brasileiros: a Experiência no Exterior
com Daniel PellizzariRafael Grampá
mediação Octavio Aragão
Dois jovens e respeitados artistas brasileiros compartilham suas experiências na área dos quadrinhos. O objetivo é debater as possibilidades de criação de HQs dentro do gênero da ficção científica, no Brasil e no exterior.

19h30 Encerramento do dia: palestra e apresentação com Walmor Corrêa.

22 de agosto (domingo)

17h mesa 1 Ficção Científica e Estudos Culturais: Uma História Sem Fim
com Adriana AmaralCristiane Busato Smith
mediação Fábio Fernandes
Uma mesa para discutir Estudos Culturais no universo da ficção científica,lançando ao gênero um olhar mais acadêmico, convidando pesquisadores e jornalistas para um panorama abrangente dos desdobramentos dessa cultura, do fenômeno relativamente recente da subcultura da fanfiction até a obra do escritor britânico underground J. G. Ballard.

18h30 mesa 2 New Weird Fiction – Um Novo Estranhamento Literário
com Alexandre Mandarino, Nelson de OliveiraRichard Diegues
mediação Jacques Barcia
Os componentes da mesa opinarão sobre o presente e o futuro deste subgênero da literatura fantástica. Surgido na década de 1990, somente nos últimos dois anos o New Weird Fiction começou a ganhar atenção no Brasil, através de ações táticas de jovens autores, pequenos editores e também escritores premiados, como Nelson de Oliveira.

20h Encerramento do dia: performance com os VJs Wandeclayt M.Lady A – exibição de remixes de clássicos da ficção científica ao som de música eletrônica.
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Este é mais um daqueles eventos que quem puder, não deve perder! A programação está muito boa!

É uma pena que não tenho como ir. T_T Bem que podia rolar um streaming…

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