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Fãs e cultura pop japonesa na Intercom 2011

17 Ago

Este ano me chamou a atenção o volume de artigos sobre fãs e cultura pop japonesa na Intercom, congresso de Comunicação que acontece em Recife, de 2 a 6 de setembro.

Ontem relacionei no blog Bibliografia de pesquisas sobre fãs e fandoms os trabalhos sobre fãs, além de relacionados ao mundo pop, geek e nerd, então confira a lista aqui.

A seguir os trabalhos envolvendo cultura pop japonesa:

Ficção televisual japonesa de longa duração: um pouco de tudo, mas diferente de todos

MISAKI TANAKA (UFPB)

Entre os programas televisuais do Japão, há um ficcional de duas horas de duração, que tem as mulheres casadas com idade acima de 40 anos como público primário, considerado uma das marcas das produções televisuais daquele pais. Este trabalho destaca alguns aspectos que se repetem em todos os programas desse gênero, como o esquema básico e o uso dos planos, apontando as suas características e diferenciais em relação a outros ficcionais. (DIA 6 | 9h – 10h45 | Local: Bloco G4 | Sala 002)

Produção independente e reprodução subalterna de mangá na cibercultura

Tatiane Hirata (UFMT), Yuji Gushiken (UFMT)

As histórias em quadrinhos japonesas – chamadas de mangás – e sua contraparte independente, chamada de doujinshi, possuem, além da circulação oficial em forma de revistas impressas ou conteúdo digital pago, uma circulação digital e não licenciada engendrada pelos próprios fãs. Reunidos sob a prática do scanlation (digitalização e tradução), os fãs espalhados pelo mundo reinventam os processos de re-produção, circulação e consumo de mangá neste período marcado pelos processos de convergência midiática e demandas por formas sempre renovadas de rituais de sociabilidade no anonimato urbano. Relata ainda os modos como no capitalismo a produção de valor simbólico tende a torna-se produção de valor econômico na medida em que práticas midiáticas ditas ilegais tornam-se normativamente em trabalho. Este artigo se constitui na perspectiva dos estudos da comunicação como ciência da cultura. (DIA 6 | 9h – 12h | Local: Bloco G | Sala 509)

Mangá, anime e violência: o bullying e a cultura pop japonesa.  

Fernando Rizzaro de Almeida (ICICT Fiocruz)

O objetivo deste trabalho é analisar a violência contra crianças e adolescentes, em especial sob a forma de bullying e a possível relação existente entre violência e o consumo de produtos da cultura pop japonesa. Na primeira seção, é feita a definição de violência sob diversos prismas, em especial Etienne Krug (representando a OMS) e Anthony Arblaster. A segunda seção abarca a definição de mangá e anime segundo Cristiane Sato e Scott McCloud, suas características e relação com violência. A terceira, e última, seção discute as implicações da cultura pop japonesa na sociedade hodierna. (DIA 6 | 9h – 12h | Local: Bloco G | Sala 607)

Mangá: Moderna Tradição da Comunicação por Imagens

Taís Marie Ueta (UFMT), Yuji Gushiken (UFMT)

O mangá (quadrinhos japoneses) é um dos produtos da cultura pop japonesa mais difundidos e consumidos entre jovens e adultos, particularmente ao final do século XX, para além das fronteiras japonesas. Neste artigo, narra-se a trajetória do mangá para atingir o status de fenômeno global. Em seguida, pontua-se a caracterização visual do mangá, que evoca uma já histórica dimensão imagética dos processos comunicacionais na cultura japonesa, o que inclui a tradição da escrita. Também é abordada a hipótese de como o sucesso dos quadrinhos japoneses tem relações diretas com a demanda por imagens característica da contemporaneidade. O artigo é escrito na perspectiva teórica da comunicação como ciência da cultura. (DIA 6 | 14h – 18h | Local: Bloco G | Sala 509)

Na Intercom Júnior, infelizmente, não são disponibilizados os resumos:

Os fãs e os Doramas: a cultura participativa no processo de difusão e colaboração no ciberespaço

Andreza Jackson de VASCONCELOS (Universidade Federal do Pará)

(4 de setembro | 9h – 12h | BLOCO B – SALA 503)

Uma análise das estratégias comunicacionais utilizadas durante o jogo “Pokémon”

Irina Coelho MONTE (Universidade Federal do Piauí)

(6 de setembro | 9h – 12h | BLOCO B – SALA 503)

O seguinte, apesar de não ser especificamente sobre, traz em seu título referência à cultura pop japonesa:

Olha a roupa de pokebola da Fátima Bernardes: significações do figurino telejornalístico através dos comentários do twitter

Agda Patrícia Pontes de Aquino (UFPB)

Este trabalho busca na rede social twitter uma forma de observar a nova relação disposta entre os espectadores e os conteúdos televisuais, em especial o telejornal. Comentários e apontamentos que antes poderiam ficar restritos ao ambiente familiar, individual ou de grupos específicos, agora passam a ser difundidos e massificados, além de colaborarem com a movimentação de públicos que transitam entre a Internet e a televisão convencional. O figurino dos apresentadores do Jornal Nacional, da Rede Globo, serve de ilustração para colaborar no entendimento do novo papel que os jornalistas de TV assumem na sociedade contemporânea. Através dos comentários do twitter identificamos a multiplicidade de significações que o público pode produzir com relação a esses conteúdos imagéticos, além de apontar para um novo entendimento do papel do figurino na composição da imagem do profissional de TV. (DIA 6 | 9h – 12h | Local: Bloco G | Sala 509)

A lista completa dos trabalhos pode ser acessada aqui.

Agora é esperar disponibilizarem os artigos para que possamos lê-los! 

“Anime” ou “animê”?

9 Set

Os fãs já estão acostumados com os termos, conceitos e palavras específicas da cultura pop japonesa. Usam-nas diariamente oralmente e na escrita. Mas, sempre existem algumas dúvidas devido à pronúncia ou devido à ortografia.

Talvez esse mesmo fã se assuste ao saber que palavras como “mangá” não estejam nem presentes nos dicionários de língua portuguesa, o que determina uma existência não-oficial. E isto nos leva a pergunta do título deste post, pois se não existe uma normatização sobre a escrita da palavra usada para designar os desenhos animados japoneses, como saber qual sua forma correta?

As duas formas são encontradas em diferentes lugares, seja em blogs de fãs, em pesquisas ou mesmo na mídia. Desde que comecei a pesquisar a cultura pop japonesa, tenho escrito “animê”, com acento, devido à seguinte explicação dada pela prof. Drª Sonia M. Bibe Luyten (2003, p.6), referência nacional em pesquisa sobre cultura pop japonesa (principalmente mangá), no artigo “Mangá produzido no Brasil: pioneirismo, experimentação e produção”:

“O termo animê deriva do inglês animation em sua forma abreviada para desenho animado. Embora no Japão a grafia de manga e anime não sejam graficamente acentuadas porém o são oralmente, em português uso o acento para mangá para não ser pronunciado como manga (fruta, ou manga de camisa) e animê para não ser confundido como anime (do verbo animar)”. (grifos da autora).

Mais do que remeter ao verbo animar, “anime” também corresponde à “resina aromática que se assemelha à goma-copal”, segundo o dicionário Michaelis online.

Além disto, é importante destacar a influência da grafia inglesa, já que não leva acentuação. Muito antes da livre circulação da escrita “anime” pela internet, os próprios jornalistas especializados buscavam referências no exterior para suas matérias e acabavam usando a palavra (no inglês é “anime” mesmo) sem convertê-la para o português.

Por isto, baseando-se em Luyten (porque eu não sou ninguém pra ditar nada. Ainda! Hehehe!), considero mais apropriada a grafia “animê”. Apesar disso sei que muitos continuarão usando “anime” pela simples preguiça de acentuar, mas é preciso ter cuidado com trabalhos acadêmicos e jornalísticos.

Aberturas e encerramentos japoneses

1 Set

As vinhetas de aberturas e de encerramentos das produções audiovisuais japonesas são, na maioria das vezes, muito bem feitas: seja pela qualidade estética, musical ou mesmo pelo inusitado e experimentalismo presentes. Por isso, resolvi trazer aqui alguns exemplos de doramas (telenovelas japonesas) e animês (desenhos animados japoneses) que, por algum motivo ou outro, chamaram-me a atenção.


My Boss, My Hero

Dorama sobre o filho de um chefe da máfia japonesa (yakuza) que, apesar da idade, volta à escola.

A abertura traz elementos de história em quadrinhos, com destaque para as onomatopéias, as quais permanecem japonesas mas seguem um visual das usadas nos comics, quadrinhos norteamericanos. O resultado é bem interessante.


Elfen Lied

Animê sobre Lucy, uma Diclonius, espécie de mutante com poderes que a tornam uma arma ambulante.

"O Beijo", de Gustav Klimt.

A abertura é feita a partir de obras do austríaco Gustav Klimt, conhecido principalmente pelo quadro “O Beijo” (1907). Além disso, a música é cantada em latim. Acho muito legal essas misturas: você tem aqui um animê, produto da cultura de massa, cuja abertura traz uma forte relação com obras de arte, ou seja, cultura erudita.


Honey & Clover

Animê sobre a vida de um grupo de amigos estudantes de Artes e Arquitetura em uma mesma universidade.

A abertura é uma das mais estranhas que já vi! São pratos com “comidas” que vão ficando cada vez mais bizarras. Num momento aparece um assado em forma de mão que começa a se mexer e escreve em vermelho (ketchup/sangue) “help”! Ah, e dá até pra levar um sustinho no final (mas agora que avisei, provavelmente, não vai te dar)! Fora a parte da história se passar com alunos de artes, até hoje não entendi o que abertura tem a ver com a história… Mas vale a pena assistir!


Otomen

Dorama sobre um rapaz que, mesmo se destacando como um cara “másculo”, gosta de coisas ditas do universo feminino (pelúcias, cozinhar, costurar…). Ele se apaixona por uma garota que não se dá bem nas atividades ditas femininas e luta artes marciais.

O encerramento tem como cenário um Japão feudal, apesar da história se passar na atualidade e não ter relação alguma com aquela época. Nele a garota é perseguida e ele tenta salvá-la, mas o legal é que no final ela acaba salvando os dois! Destaquei aqui porque as imagens ficaram muito bonitas.


Strawberry On The Shortcake

Dorama sobre um grupo de estudantes colegiais. As histórias envolvem dramas como a do aluno que mantém um caso com sua professora e o protagonista que se apaixona pela irmã (não-sanguínea, mas por parte de casamento recente do pai).

Apesar de ser dramático, o dorama acaba sendo cômico em alguns momentos devido sua trilha sonora. A abertura e o encerramento possuem música do ABBA, respectivamente, Chiquitita e S.O.S. Aí em alguns momentos começa a tocar as músicas e fica muito engraçado ouvir no meio de uma cena dramática “chiquitita lálálá”! Apesar das letras fecharem muito bem com a história, acho que pro público ocidental essas músicas acabam dando uma outra “experiência de leitura” ao ver o dorama. Mas, acaba sendo divertido.


Por fim, indo pra esse lado de músicas ocidentais usadas em produções japonesas, lembrei-me de duas que gostei bastante e que fecham muito bem com os enredos: Ergo Proxy e Paradise Kiss. Ambos em animês e encerramentos.

No primeiro, é usada uma música do Radiohead (do álbum “OK Computer”, e o enredo de Ergo envolve relação homem-máquina) e, em Parakiss, a “Do you want to” do Franz Ferdinand. Ambas muito legais!

Comercial de House no Japão mistura animê

4 Ago

Para o lançamento no Japão do 4º DVD da série norteamericana, House , M.D. (no Brasil, Dr. House), foi feito um comercial, numa espécie de crossover, com o desenho animado “Black Jack”, de Osamu Tezuka (considerado o mestre/deus dos mangás).

Mais uma vez os japoneses demonstram que não basta trazer um produto de outra cultura para a sua, eles dão um jeitinho de deixar com a cara deles, no caso resgatando um personagem conhecido ao povo nipônico para a divulgação do DVD. Parabéns para quem teve a ideia! Se no Brasil fizessem isso….bom, tenho até medo, das referências culturais do país que seriam usadas! Hehehe! 😛

Mesmo para quem não entende japonês, vale a pena dar uma olhada no comercial, nem que seja só para ouvir House e sua equipe falando  em japonês. É muito engraçado.

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