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Eventos literários em junho|16

13 Jun

Bom, como alguns me pediram, vou começar a divulgar aqui no blog os encontros envolvendo livros, autores, editoras e afins desse mundo literário que estão acontecendo aqui em Porto Alegre. Não estranhe se alguns são mais voltados à cultura pop, e você só conhecia pelo filme, porque é mais comum do que parece.

Este mês, junho, já aconteceram alguns, como o encontro sobre o autor David Levithan e o Mochilão da Record, mas ainda dá tempo pra ir em outros, para quem se interessar:

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Dos usos do “bah” (ou como a expressão gaúcha serve pra tudo!)

26 Maio

Há mais de 3 meses morando em terra mineira, repleta de pessoas de São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e outros estados, volta e meia surgem algumas diferenças regionais, principalmente na fala. Como gaúcha, já vivi algumas situações, no mínimo cômicas, como quando, por exemplo, falei em uma sala de aula repleta de alunos que não aguentava mais ter que ficar chamando a atenção e dar “mijada” no pessoal. Só mais tarde, em uma conversa, fui descobrir que por aqui não se usa esse sinônimo de “esporro” e que os alunos estavam entendendo num sentido literal a tal “mijada”! Algo, no mínimo, bizarro!

Um outro exemplo, menos polêmico, mas um tanto curioso, é a expressão gaúcha “bah”.  Sou verdadeira adepta da palavra e volta e meia solto um bah. Porque vamos combinar, é a expressão mais natural possível, pois é só abrir a boca e o som do “ahh” já sai! Mas o pessoal acha engraçado, e acaba querendo zoar com isso. Numa dessas, alguns ficaram um longo tempo só falando bah e eu falei brincando que estavam pegando o jeito da coisa, que o bah se usa pra tudo mesmo. Eles ficaram me olhando, como quem não entende direito, e me lembrei daquele comercial da cerveja Polar no qual dois amigos dialogam, se assim podemos dizer, usando apenas essa expressão. Como prometido, aí vai o vídeo pra aqueles que não entendem o nosso “bah”!

 

 

Quando fui procurar esse vídeo do bah, também achei esses outros comerciais da mesma cerveja que tem como tema deixar bem marcado o que é “ser gaúcho” (pois a Polar é do RS), além das diferenças do sul com outros estados. Apesar de achar muito forçado alguns aspectos (critico essa coisa bairrista do gaúcho), os vídeos são engraçadíssimos!

 

 

 

 

 

 

E não, esse post não foi uma forma de divulgar esta ou qualquer outra cerveja, pois eu não bebo e nem gosto deste tipo de bebida!!

O digital e a tecnologia no 2º dia de Jornada Nacional de Literatura

25 Ago

 De fato, foi nesta terça-feira que iniciou a Jornada, já que começaram as mesas de debates, conferências e demais discussões a cerca da Literatura envolvendo as questões do tema deste ano (linguagem, redes e mídia). Neste dia, teve destaque o papel das tecnologias, principalmente do computador e da internet.

A seguir, confira um resumo das principais falas do dia.

Debate: “Literatura e arte na era dos bits”

Peter Hunt

Abordou como a Literatura vem sofrendo mudanças, principalmente em sua forma e alertou para a necessidade de mudar o jeito como compreendemos uma história, pois cada vez mais ela deixa de ser linear para ser contada em pedaços, em diferentes plataformas. Exemplificou com o livro Crepúsculo o qual, na edição em língua inglesa, apresenta ao final propagandas do DVD, o álbum da trilha sonora do filme, sites… Enfim, me lembrei muito em sua fala da questão da transmídia, que conheço pelo Henry Jenkins, mas em nenhum momento ele usou este ou outro termo mais específico.

 Mauricio de Sousa

Contou como planejou desde o começo de sua carreira atuar em diferentes setores (impresso, audiovisual e até parques temáticos). Para isto, estudou como funcionava o mercado norte-americano de HQs antes de iniciar tal empreitada. E ainda salientou que demorou, mas está conseguindo, estando na metade do caminho ainda! Hoje seu estúdio possui uma demanda mundial e conta com cerca de 200 artistas. O que mais chama a atenção dos editores estrangeiros é a “filosofia de seus personagens” (não consumistas, voltados para a família, camaradagem e ética).

Mas, ao contrário do que muitos pensam, não é a Mônica que mais vende no exterior e sim, Ronaldinho Gaúcho. Inclusive, Mauricio comentou que o personagem possui expressões típicas do Rio Grande do Sul, como o “Bah”, que não são traduzidas (por não haver similares) e estão espalhando pelo mundo (32 línguas para ser exata) esses gauchismos. Enquanto isso, no Brasil, a Turma da Mônica Jovem teve tiragem de 500 mil exemplares na edição em que Mônica e Cebolinha começam a namorar.

O quadrinista também comentou que por 20 anos seu desejo era fazer livros, mas que somente com a editora atual, a Panini, isto foi possível. Nos últimos 3 anos acumulou 174 publicações e mais estão pra vir. Revelou em primeira mão na Jornada uma parceria com Ziraldo. No twitter, Sidney Gusman explicou melhor: “a Melhoramentos lançará na Bienal um livro escrito pelo Ziraldo e desenhado por ele. E em 2012, trocam-se os papéis: Ziraldo ilustra um livro escrito por @mauriciodesousa. Baita projeto, hein?”. Além disso, cogita a possibilidade de fazer uma versão da Turma adulta, porém com histórias acontecendo de forma cronológica, isto é, envelhecendo com os leitores.

 Giselle Beiguelman

Trouxe para a discussão o QR code, no que ela descreve como algo para o leitor em trânsito e destaca como hoje somos desafiados a ler enquanto fazemos outras coisas e a presença de uma geração acostumada a distribuir a sua atenção.

Apresentou esse vídeo sobre o possível futuro (em 2014) da evolução das telas em nosso cotidiano:

 

Marcia Tiburi

Sem ser demasiadamente pessimista em relação às tecnologias, tampouco otimista, advertiu para cautela e convidou à adesão de uma “ética do passo atrás”, numa valorização da imaginação e sonhos.

Pensar sobre a existência é algo que a atrai, portanto, pensar o que é a vida digital, lhe rendeu algumas respostas: A vida vira informação e esquece a formação. Vira bits e se se esquece dos átomos. Vive-se da simulação, não mais da verossimilhança. É um mundo em que vamos perdendo a conexão com o próprio corpo. E tudo parece se resolver nas pontas dos dedos.

Sobre arte, citou como o conceito é antigo e difícil de aplicar, sendo por vezes usado num sentido estético ou/e político. Para ela, prefere falar sobre o “mundo das coisas” ao invés de “artes”, sendo algo que desperta nossa percepção (contrário à distração).

Ao fim do debate, o Grupo de Teatro De Pernas Pro Ar conduziu os participantes da lona principal até a praça de alimentação e apresentou o "Cortejo espetáculo: banda circense".

Conferência com Pierre Lévy

 Com o tema “Horizontes do conhecimento na era digital”, Lévy apresentou seu projeto metalinguístico, denominado pelo próprio como utópico.

Na mídia digital ainda usamos sistemas de escrita das mídias estáticas, portanto, para Lévy novas formas de escrita devem surgir desse meio. Assim, propõe a IEML (Information Economy Metalanguage) planejada “para explorar todos os recursos de memória e de cálculo do meio digital para o benefício da pesquisa em ciências humanas. […] a IEML pode servir como uma metalinguagem para a categorização dos dados, a hipertextualização automática dos dados categorizados, o arranjo de informações em circuitos semânticos e o cálculo automático de vias e distâncias entre os itens de informação […] Ler em IEML significa realizar análises comparativas automatizadas de estruturas semânticas e extrair informação sobre os fluxos canalizados por essas estruturas” (citação retirada do jornal O Mundo da Leitura, entregue junto ao material da Jornada, originária do livro “The Semantic Sphere: computation, cognition and information economy”, 2011).

Começa a Jornada Nacional de Literatura em Passo Fundo

23 Ago

Começou nesta segunda-feira à noite, a 14ª Jornada Nacional de Literatura, com o tema “Leitura entre nós: redes, linguagens e mídias”.

A Jornada completa 30 anos em 2011, sendo realizada a cada dois anos em Passo Fundo/RS. A cidade, inclusive, recebe o título de capital nacional da literatura devido ao evento.

Em sua primeira noite, o espetáculo de abertura ficou por conta da Intrépida Trupe, com um número acrobático, seguido da apresentação da música tema da Jornada, “Sagração da Palavra” (vale a pena ler a letra aqui!), por Humberto Gessinger (vocalista da banda Engenheiros do Hawaii), escrita pelo próprio juntamente com Paulo Becker. Além, é claro, dos vários discursos das várias pessoas importantes para o evento e demais premiações (procure a imprensa oficial para mais detalhes!).

Humberto Gessinger canta música-tema da Jornada.

Esta é a quarta Jornada em que participo, incluindo aí uma pré-Jornada (feita junto às escolas da cidade) e em uma delas trabalhei, como estagiária, na rádio-poste do evento (fazendo entrevistas, colocando música, avisando das crianças perdidas…). Como não é novidade para mim, tenho edições anteriores para comparar.

Espetáculo de abertura da Intrépida Trupe.

O que me surpreendeu de cara foi a abertura bem fraquinha, “pobrezinha” mesmo. Lembro dos espetáculos anteriores cheios de brilhos e emoções, que faziam a plateia ficar de pé aplaudindo junto. As acrobacias no ar da Trupe eram legais, os profissionais estão de parabéns pela performance, mas faltou mais ousadia e até mesmo um figurino mais digno de um evento que se vende como o principal da Literatura na América Latina (algo noticiado toda hora, mas que tenho minhas sinceras dúvidas). A apresentação valeria para um intervalo entre atrações, mas para abertura, não estava tudo aquilo. Foi preciso entrar o Gessinger para dar uma animada e salvar o show. Mas também não durou muito, afinal a música é curta.

Exposição sobre almanaques no estande do Sesc na Feira do Livro. O legal é que é possível manusear alguns exemplares.

Além disso, o circo da cultura (uma lona de circo mesmo, onde ocorrem as atrações principais) estava cheio de goteiras; a feira do livro tinha muito mais estandes de empresas diversas do que de livros de fato; e havia outros problemas devido à falta de organização (e até de respeito para com os participantes) na entrega de crachás e saída das pessoas.

Espaço da Turma da Mônica na feira do Livro onde as crianças podem brincar.

Mas, enfim, foi o primeiro dia, ou melhor, noite, e o que importa são as discussões que virão pela frente. Estas espero que sejam bem instigantes!

Participantes tiveram que esperar (num frio de 9ºC!) a liberação (de quem não sei!) para poder ir embora. No tédio, as garotas e garoto (esq.) ainda posaram para esta foto.

(Todas as fotos podem ser visualizadas em melhor qualidade aqui)

Vai um bolinho de bacalhau aí?

15 Out

Uma visita pela Marejada 2010

Em Santa Catarina acontecem em outubro festas temáticas durante várias semanas. Anteriormente postei sobre a minha ida à Oktoberfest deste ano.

Hoje é sobre a Marejada, em Itajaí, visitada na segunda-feira, 11/10.

A Marejada, que está em sua 24ª edição, é a maior festa portuguesa e do pescado do Brasil. As atrações são apresentações folclóricas, bandas temáticas, feira de artesanato e demais produtos, shows gerais (como do Luan Santana) e, claro, diversos pratos e petiscos da culinária portuguesa.

Talvez em comparação com a Oktoberfest, pode parecer um evento um pouco menor, afinal não há tantos pavilhões e nem lojas/casas conforme a arquitetura portuguesa, mas me pareceu ter mais elementos culturais, no caso português, do que a festa alemã (que serve muito mais como uma desculpa pra encher a cara de chope na minha opinião! O que não há nada de mal, mas…). Estou falando de conteúdo mesmo, porque no visual realmente não fica nítida minha constatação.

Não há na Marejada cosplayers, ou seja, o público não vai vestido conforme a indumentária folclórica portuguesa, com exceção dos dançarinos e músicos que irão se apresentar nos diversos palcos do evento.

Nossa mãe com as 'portuguesas'. (foto by Vivian)

Atrás do palco, aguardando a apresentação. (foto by Vivian)

Os pratos típicos são muitos: de petiscos de peixe e camarão (seja em porções, em espetinhos, pastéis…) até refeições mais elaboradas com frutos do mar. Por isso, há espaços separados para cada alimento como, por exemplo, a Casa do Bacalhau. E não poderia faltar um bom vinho para acompanhar os alimentos. Nós comemos muito bolinhos de bacalhau. Estavam ótimos, tanto que nem lembrei de tirar foto!

Casa do Bacalhau

Show midiático: foi ligarem a câmera e logo as vendedoras começaram a representar gritando o nome dos petiscos.

Na feira de artesanato pude ver uma senhora fazendo renda de bilros. Ela me contou que leva cerca de dois dias para fazer uma peça pequena, já uma toalha de mesa rende um mês de trabalho (e custa 500 reais!).

Há também um parque de diversões lá. Devido ao dia que fomos, véspera do dia das crianças, comemoramos adiantadamente! Eu e a Vivian voltamos com vários prêmios pequenos, como chaveiros e bola, pra casa adquiridos nos tiro ao alvo, pescaria e outros…

Nós (tentando) e nosso pai (quem realmente sabia mirar, atirar e ACERTAR!).

Mas, o mais curioso de tudo e que não poderia deixar de comentar foi um fato muito relevante que me faz dar à Marejada um #epicwin, em contraposição ao #fail que dei à Oktoberfest: estava eu lá lendo as placas de preço/produto para escolher o que iria comer e de repente me deparo com uma que vendia, advinha? CUCA ALEMÃ!! Sim, não encontrei na “maior festa alemã das Américas” o doce, mas estava lá na festa portuguesa!

Show da noite: Jeito Moleque.

Enfim, a Marejada é um evento mais tranquilo, para assistir as apresentações folclóricas, comer delícias de pratos de peixes e frutos do mar, além de poder ver e comprar produtos artesanais. Em contrapartida, acredito que os shows de grupos gerais, desligados ao tema português, são a parte mais festa/bebedeira, mas acontecem num espaço mais reservado. Quem puder conferir, vale a pena!

***

Mais fotos – e as do post podem ser melhor visualizadas – em: http://www.flickr.com/photos/giovanacarlos/sets/72157625046241629/

 

Não tem cuca?!

12 Out

Um passeio pela Oktoberfest 2010

No último domingo (10/10/10!) fui com meus pais na Oktoberfest em Blumenau, Santa Catarina. Ok, fui com a família, o que já caracteriza uma outra Oktoberfest. E não dá pra negar: Oktoberfest = muita bebida + dança. Mas, de qualquer forma dá pra tirar uma ideia de como é…

Prometendo ser a maior festa de cultura germânica das Américas, bem na verdade, o principal é o chope e as bandas temáticas. Pra quem espera ver coisas mais específicas da cultura alemã, vai se decepcionar. As lojas da vila germânica vendem basicamente camisetas, canecas, chapéus e demais adereços relacionados à festa. Tudo bem, há alguns produtos interessantes e alguns pratos típicos, mas nada que valha a pena sair de muito longe (ou gastar muito) para ver.

O legal mesmo é ir com um grupo grande, que vá fazer festa. E, de preferência, ficar em alguma cidade de praia pra aproveitar mais.

Petisco alemão: linguiça, frango, coração de galinha, salame, salsicha... (já tínhamos comido metade quando tirei a foto!)

Vale ressaltar que, apesar de ter um evento desses, não há sinalização específica dentro da cidade de como chegar até o local (levamos um tempão pra nos acharmos!), somente algumas bandeiras com o nome e logo do evento pelo centro. Algumas poucas placas indicando a vila germânica não dão conta do recado.

Há um parque de diversão com brinquedos mais infantis e outros mais emocionantes como o Kamikaze.

Mas o que me chamou mais a atenção de tudo foram os cosplayers, quer dizer, o pessoal vestido ‘tipicamente de alemão’. Os que não estavam totalmente vestidos conforme a fantasia, digo, ‘vestuário germânico’, usavam pelo menos aquele chapéu da oktober ou tiara de flores.

Havia também alguns chapéus mais temáticos, como na forma de chope. E claro, não podia faltar a caneca pendurada no corpo. Aliás, até aqui em Balneário Camboriú tem algumas pessoas circulando ‘a la oktober fashion’.

Com todo esse contexto de roupas e acessórios, é possível fazer uma correlação bem interessante com os eventos de cultura pop japonesa, aonde os que não vão de cosplay de personagem, vestem pelo menos uma toquinha, tiara com orelhas de gato e demais. A diferença está no pessoal do pop nipônico saber que é tudo ficção e proveniente da mídia… Espero!

No Wasabi Show, evento de cultura pop japonesa de Florianópolis, surgiu este cosplayer vestido 'a la Oktoberfest', em fevereiro deste ano.

Ao final, antes de ir embora me lembrei de procurar por cuca alemã pra comer e levar pra casa! Não achando em nenhum lugar, fui num guichê onde se compram as fichas pra comida/bebida. Perguntei pra atendente: “onde tem cuca pra comprar aqui?”, ela me olhou, soltou um “cuca?”, no que eu respondi “é! Cuca alemã! Não tem?!”, ela virou pra colega do lado, “a gente tem isso aqui? Cuca?”, ambas nitidamente dando a impressão de que pedi algo fora do comum pro lugar, no que concluíram, “não, não tem”. Como se diz no twitter: #oktoberfest #fail!

Só digo que eu ainda estou chocada com o fato de uma festa alemã NÃO TER cuca alemã!! Como é que pode? Até nas festas italianas lá no Rio Grande do Sul tem! Por que numa festa germânica não? Tsc, tsc, tsc…

E, claro, não podia faltar um elemento nerd nessa visita!

***

P.S.: A minha irmã veio me alertar para explicar o que é cuca, pois não é muito comum fora do sul do país. To chocada! Se você não conhece, não sabe o que perde!! Huahuahuahauhuhu!! A explicação dada é de que seria um bolo/pão doce, mas acho bem complicado isso, pois o sabor é único. Cuca é cuca! E tem de farofa, banana, goiaba, amendoim, pêssego, abacaxi, uva, morango….

O 20 de setembro por duas irmãs gaúchas

20 Set

Rio Grande do Sul. Feriado. 20 de setembro. Um fato curioso acontece no twitter. O termo “Revolução Farroupilha” fica em 1° lugar no Trending Topics do Brasil (em 5° está “20 de setembro”, e em 8°, “gaúchos”) e, para maior espanto, também no mundial! Os internautas comentam como o povo gaúcho conseguiu realizar esse ato de (des)bravura, pois o mesmo não aconteceu com o 7 de setembro, no país. Intrigadas com o acontecimento, resolvemos escrever sobre a data, quase um mito dos pampas.


O herói ladrão, uma guerra civil, e interesses da monarquia

Por Vivian Santana

Bento Gonçalves conseguiu sua fortuna saqueando. Os “farroupilhas” constituíam pequena parcela da população da época e visavam apenas seus interesses próprios. Os fatos foram transformados pelo viés da indústria cultural e poucos conhecem, contam a história real. Entre eles está o jornalista, historiador, e professor Dr. Tau Golin, com quem eu e a Giovana tivemos o prazer de ter aula e descobrir o lado B da História gaúcha. Autor de livros como “A Ideologia do Gauchismo” e “Bento Gonçalves – O Herói Ladrão”, Golin revela no observatório da imprensa: a maioria de estancieiros e charqueadores mobilizou as suas tropas em favor da causa monárquica. Durante os primeiros anos, os confrontos bélicos tiveram conotação de guerra civil, com o Rio Grande rural dividido. A maioria, especialmente nas cidades, enfrentou os rebeldes”.

No mesmo artigo, o professor ainda comenta: “A ‘guerra de libertação’ do Rio Grande existe somente na imaginação. O constrangedor é que os artífices da memória impuseram ao Rio Grande do Sul um líder autoritário e antiparlamentar, contraditoriamente adotado como ícone protetor da Assembléia Legislativa, com direito a mural e representação em bronze no pórtico de entrada, e os senhores de escravos como heróis regionais”.

Em 2006 o texto “Sapateando na Bosta de 20 de Setembro”, escrito pelo jornalista e historiador Rodrigo de Andrade, publicado no jornal Cadafalso, de Passo Fundo/RS,  gerou grande polêmica sobre a visão oficial da data: “deve-se lembrar que os gaúchos perderam (e feio). Porra, só um estúpido comemora uma derrota! Hoje em dia, estudos sérios revelam que esse passado mitificado, celebrado pelos embombachados, não passa de mero folclore. (…) Todo esse movimento foi criado em grêmios estudantis porto-alegrenses no início do século passado. Desde então, se produz uma visão enganosa do passado, construída para agradar (leia-se domesticar) as populações? gaúchas? do presente” (leia na íntegra aqui). O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) indignado processou o jornal.


A espada degoladora

Por Giovana S. Carlos

Acho que uma maioria estuda História (na época do colégio) e vê datas como a de hoje e pouco ou nada relaciona com a sua própria História e a de sua família.

Apesar de não achar nada legal as comemorações feitas em torno de uma guerra e o discurso construído, no caso, uma demonstração de ser gaúcho naquela lógica do hino do estado “sirvam nossas façanhas de modelo pra toda terra”, não dá para esquecer, ou apagá-la. Ter conhecimento da História é importante, o que não implica glorificá-la.

Pra quem não sabe, sou gaúcha e acabei me lembrando hoje de uma visita que fiz à minha vó há alguns anos, em Cruz Alta. Ela mora no campo e sua casa é cheia de objetos antigos, coisas do século retrasado. Uma vez ela nos mostrou uma espada antiga de um familiar de várias gerações anteriores. Ao desembainhá-la comentou, com a voz calma e tranqüila que tem: “essa aqui degolou muita gente em guerra”. Eu e minha irmã só nos olhamos e, claro, ficou aquele ar sinistro, afinal pra pessoas que levam uma vida como a nossa (leia-se urbana) isso parece coisa de filme, livro… Uma realidade muito distante, quase irreal. Mas é real e faz parte da História.

Com tudo isso em mente, fui procurar na genealogia da família esse antepassado porque tinha uma vaga impressão dela ter falado na tal Revolução. Vale comentar que um parente chamado Amarante Carpes fez toda uma pesquisa desde o começo da minha família por parte de mãe e tenho uma cópia, datada de 1978, do documento. E lá encontrei José Gomes Portinho (1814-1886): um “simples soldado nas tropas farroupilhas” que mais tarde se tornou brigadeiro, lutando na Guerra do Paraguai. O “heroísmo” na guerra lhe rendeu o título de Barão de Cruz Alta, porém Portinho recusou “por alimentar idéias republicanas”. Aliás, este meu antepassado está na Wikipédia

Mas e o dono da espada? Bom, este foi seu filho Felipe Nery Portinho (1861-1941). No documento, segue a descrição (de forma muito passional pro meu gosto): “herdou de seu pai o espírito de luta, a bravura e o sentimento de liberdade, escreveu páginas gloriosas na história do Rio Grande do Sul, como General Maragato, em defesa de liberdade e da igualdade de direitos, contra os tiranos Borges de Medeiros e Firmino de Pula e Silva. E um homem legendário, cuja evocação e memória enche (sic) de orgulho e saudade todos os gaúchos”. Apesar da espada não ter sido usada na Revolução acabei achando um antepassado que lutou nessa guerra.

Muitos acham que a História é algo descrito sobre os outros, sem se dar conta de que ela é sobre todos nós. E que, de uma forma ou outra, esses eventos, fatos históricos estão muito mais ligados à nossa família do que se imagina. Afinal, quem faz História sou eu, você, nós.

Vamos ler quadrinhos, Brasil!

21 Ago

O quadrinista Alexandre Nagado iniciou ontem (20/08) uma campanha para formar novos leitores de histórias em quadrinhos no Brasil. O motivo é a sua constatação de que as HQs cada vez mais se distanciam da comunicação de massa concentrando-se em nichos fechados e específicos, deixando uma boa parte das pessoas sem ao menos saber direito sobre essa mídia e, portanto, sem consumi-la.

A campanha é simples. Nagado pede aos leitores de seu blog para espalharem uma tira em quadrinhos que explica rapidamente sobre HQs (do conteúdo não ser só infantil, de ser encontrável em livrarias e bancas), enfim, esclarecendo e convidando o “não-iniciado”, como o autor chama, a conhecer e ler quadrinhos.

O texto escrito por Nagado explicando a campanha pode ser acessado aqui.

Para baixar a tira, clique aqui.

Tira incentiva a leitura de HQs para desconhecedores de quadrinhos.

Gostou da ideia? Então faça suas redes sociais terem alguma utilidade maior do que pessoal(!): deixe scraps, escreva no mural, ‘tuite’ e dê RT, faça postagens, enfim… Passe adiante essa mensagem! 😉

A Ficção Científica na Literatura e nas Artes brasileiras

7 Ago

Nos dias 21 e 22 de agosto acontece em São Paulo o Invisibilidades III, evento promovido pelo Itaú Cultural voltado para a divulgação da Ficção Científica no país.

“Desta vez o tema é um saudável mix de literatura e artes visuais, com escritores, quadrinhistas, artistas plásticos e VJs dividindo o palco para falar de suas experiências, mostrar seus trabalhos e até mesmo apresentar performances”, escreveu em seu blog, Fábio Fernandes, curador e um dos mediadores das mesas temáticas.

Abaixo você confere a programação. Para mais informações acesse aqui.

*

Programação

21 de agosto (sábado)

15h30 mesa 1 Fora do Eixo – a Produção de Ficção e Crítica Literária no Brasil que Você não Conhece
com Alice Feldens, Arnaldo Mont’Alvão Quelciane Marucci
mediação Edgar Nolasco
Os participantes irão discutir a produção de obras de ficção científica fora do eixo Rio-São Paulo, com ênfase para o projeto e-ficciones. Criado pelos professores Edgar Nolasco e Armando Mont’Alvão, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, o e-ficciones visa fomentar a produção literária e crítica de ficção científica.

17h30 mesa 2 Quadrinhos Brasileiros: a Experiência no Exterior
com Daniel PellizzariRafael Grampá
mediação Octavio Aragão
Dois jovens e respeitados artistas brasileiros compartilham suas experiências na área dos quadrinhos. O objetivo é debater as possibilidades de criação de HQs dentro do gênero da ficção científica, no Brasil e no exterior.

19h30 Encerramento do dia: palestra e apresentação com Walmor Corrêa.

22 de agosto (domingo)

17h mesa 1 Ficção Científica e Estudos Culturais: Uma História Sem Fim
com Adriana AmaralCristiane Busato Smith
mediação Fábio Fernandes
Uma mesa para discutir Estudos Culturais no universo da ficção científica,lançando ao gênero um olhar mais acadêmico, convidando pesquisadores e jornalistas para um panorama abrangente dos desdobramentos dessa cultura, do fenômeno relativamente recente da subcultura da fanfiction até a obra do escritor britânico underground J. G. Ballard.

18h30 mesa 2 New Weird Fiction – Um Novo Estranhamento Literário
com Alexandre Mandarino, Nelson de OliveiraRichard Diegues
mediação Jacques Barcia
Os componentes da mesa opinarão sobre o presente e o futuro deste subgênero da literatura fantástica. Surgido na década de 1990, somente nos últimos dois anos o New Weird Fiction começou a ganhar atenção no Brasil, através de ações táticas de jovens autores, pequenos editores e também escritores premiados, como Nelson de Oliveira.

20h Encerramento do dia: performance com os VJs Wandeclayt M.Lady A – exibição de remixes de clássicos da ficção científica ao som de música eletrônica.
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Este é mais um daqueles eventos que quem puder, não deve perder! A programação está muito boa!

É uma pena que não tenho como ir. T_T Bem que podia rolar um streaming…

Comercial de House no Japão mistura animê

4 Ago

Para o lançamento no Japão do 4º DVD da série norteamericana, House , M.D. (no Brasil, Dr. House), foi feito um comercial, numa espécie de crossover, com o desenho animado “Black Jack”, de Osamu Tezuka (considerado o mestre/deus dos mangás).

Mais uma vez os japoneses demonstram que não basta trazer um produto de outra cultura para a sua, eles dão um jeitinho de deixar com a cara deles, no caso resgatando um personagem conhecido ao povo nipônico para a divulgação do DVD. Parabéns para quem teve a ideia! Se no Brasil fizessem isso….bom, tenho até medo, das referências culturais do país que seriam usadas! Hehehe! 😛

Mesmo para quem não entende japonês, vale a pena dar uma olhada no comercial, nem que seja só para ouvir House e sua equipe falando  em japonês. É muito engraçado.

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